Capital Natural: Entenda o que é e suas aplicações às empresas

O que é capital natural?

Entende-se por capital natural o estoque de recursos naturais (água, ar, solo, fauna, flora, etc.) que produz o fluxo de bens e serviços para a sociedade por meio de serviços ecossistêmicos. Dentro do conceito de “capital”, temos diversos segmentos, como capital cultural, financeiro, intelectual, entre outros. No entanto, é o capital natural que sustenta todos os demais.

A preservação do capital natural é o principal desafio e, hoje em dia, o homem compreende que é preciso agir para preservar essa dependência mútua. Assim, uma ferramenta que ajuda a entender e visualizar melhor a importância do meio ambiente é a valoração do capital natural.

Infelizmente, até certo tempo atrás a sociedade estava acostumada a consumir os recursos naturais de modo desenfreado sem ao menos perceber que são limitados. Quando há alguma crise de recursos naturais, seus impactos podem ser sentidos por todos. Um exemplo disso no Brasil é a estiagem que cria uma deficiência energética, uma vez que as hidrelétricas são a nossa principal fonte de geração de energia. Como resultado, temos perdas produtivas em empresas, cortes ou racionamento na distribuição de energia e de água para a população.

Caso a sociedade continue com um modelo econômico inconsequente, continuaremos vendo diversos exemplos de como dependemos e somos afetados pela natureza e que ela não estará aqui para sempre para nós. É necessário repensar no modo como as empresas e as próprias pessoas lidam com os recursos naturais. O conceito de capital natural é um dos caminhos que devemos compreender e seguir!

O que é valoração do capital natural?

É complicado atribuirmos um valor ao ar que respiramos ou mesmo à água dos rios e mares. Porém, é isso que a valoração do capital natural tenta fazer: é um instrumento que procura estimar um valor econômico dos “bens e serviços” oferecidos pela natureza.

Para que isso seja possível, é preciso estipular um valor econômico que seja plausível, que é determinado através da relação entre o que o meio é capaz de fornecer e o valor de outros bens e serviços já existentes na economia. Deste modo, a valoração econômica do capital natural permite atribuir um valor monetário aos recursos do meio ambiente.

O valor de uso e o valor de não uso

Os valores atribuídos aos serviços ecossistêmicos são separados em dois tipos, o valor de uso (direto, indireto, opção) e o valor de não uso. O valor econômico dos recursos ambientais (Vera) é resultado da soma desses dois valores.

O valor de uso pode ser dividido em outros três tipos: uso direto (extração de madeira, beleza visual, recreação); uso indireto (captação de carbono, ciclo da água, polinização) e opção (saber que certo serviço existe e que no futuro pode ser necessário que esteja disponível, como algumas propriedades medicinais que ainda não foram descobertas na natureza).

Já o valor de não uso se trata da satisfação que as gerações atuais e as futuras poderão usufruir da natureza ou que certas espécies e ecossistemas existem. Logo, a valoração econômica de recursos naturais se baseia na determinação do quanto o bem-estar das pessoas está melhor ou pior de acordo com as mudanças nas quantidades de bens e serviços ecossistêmicos, seja pelo uso ou não.

Metodologias de valoração ambiental

valoracao-amibentalExistem várias metodologias de valoração ambiental e cada uma delas necessita de análises e é apropriada para certos objetos de estudos. Quando estamos falando de uma quantificação monetária, por exemplo, temos os seguintes métodos.

Valoração contingente: através de questionários, esse método permite com que as pessoas atribuam um valor de quanto estariam dispostas a pagar ou compensar por um bem ou serviço de capital natural;

Preços hedônicos: trata-se da valoração de um bem ou serviço pelos fatores ambientais que podem influenciar no preço do mercado deste bem ou serviço, como uma casa localizada em um bairro arborizado, por exemplo.

Custos de viagem: refere-se ao valor gasto para ir a um local a fim de apreciar a natureza, como tempo, taxa de entrada, entre outros.

Dose resposta: é a qualidade ambiental como fator determinante de produção, pois mudanças nessa qualidade do capital natural usado afetam os níveis de produção e os preços dos produtos;

Mercado de bens substitutos: aqui deve-se estimar o preço pela substituição por outro bem existente no mercado;

Custos evitados: estabelece um valor ao recurso ambiental conforme os impactos evitados ao mantê-los;

Custo de controle: são os gastos necessários para se poder manter a qualidade dos recursos naturais, como uma estação de tratamento de água, por exemplo;

Custo de reposição: são os custos da reparação do dano causado;

Custo de oportunidade: refere-se aos custos sociais e econômicos para a preservação do recurso ambiental.

As aplicações da valoração às empresas

É normal as empresas se preocuparem com o seu capital financeiro, porém, ainda está longe do ideal as suas compreensões e considerações sobre o capital natural. É preciso que as organizações entendam que não há produção sem o capital natural, pois todo o ciclo produtivo depende direto ou indiretamente de recursos naturais – a falta deles, por exemplo, afetará diretamente a produtividade e as finanças dos negócios. Desta maneira, é fundamental incluir a gestão ambiental e a valoração do capital natural nas empresas que desejam sobreviver no futuro de acordo com certas visões.

Investir no capital natural é primordial para o crescimento econômico em busca de tecnologias limpas e desenvolvimento sustentável.

Quando aplicada às empresas, a valoração do capital natural pode ser utilizada como ferramenta para orientar os investimentos, auxiliar na tomada de decisões públicas e privadas, definir tipos do uso do solo, identificar áreas essenciais para preservação ou, ainda, simplesmente considerar o valor da natureza e diminuir os impactos ambientais.

Também ajuda de forma eficiente na hora de incluir o risco na tomada de decisões com foco na sobrevivência organizacional. São medidas que introduzem um conceito de economia verde, ou seja, “uma economia que resulta em bem-estar do homem e em equidade social, enquanto reduz significativamente riscos ambientais e deficiências ecológicas”. Portanto, investir no capital natural é primordial para o crescimento econômico em busca de tecnologias limpas e desenvolvimento sustentável.

O engajamento na inserção do capital natural não serve somente para garantir sua produção, pois também possibilita criar ou manter uma boa imagem e competitividade no mercado. Para ajudar as organizações a gerar informações confiáveis, foi criado o Natural Capital Protocol (Protocolo do Capital Natural), que auxilia nas tomadas de decisões que têm relação com o meio ambiente. O protocolo fornece uma estrutura bem padronizada para identificar, medir e valorar os impactos e as dependências que se referem ao capital natural.

Um dos maiores desafios para as empresas na economia é a necessidade de se determinar o quanto de um ecossistema pode ser convertido em produtos e o quanto deve permanecer intacto para gerar serviços ecossistêmicos. Infelizmente, a sociedade ainda está mais preocupada com a geração de produtos, por isso é preciso começar a atribuir valores e incentivar a valoração a fim de termos uma noção melhor do que e de quanto estamos perdendo, para enfim podermos encontrar o caminho para um modelo de desenvolvimento sustentável.

 

Fonte: E-Cycle

Autor: Reginaldo Pedreira Lapa
Engenheiro de Minas e de Segurança do Trabalho
Diretor da RISKEX

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *