AVALIAÇÃO PRÓ ATIVA

A Avaliação de Riscos Pró Ativa significa antecipar aos fatos, identificar as condições perigosas, os eventos indesejáveis, analisar e valorar os riscos considerando os controles existentes e a necessidade de controles adicionais para mitigar o risco conforme ilustra a figura que descreve este processo:

Processo de Avaliação de Riscos destacado em fundo vermelho.

Processo de Avaliação de Riscos destacado em fundo vermelho.

Para entender as condições perigosas é recomendado identificar previamente as energias como forma de orientação para classificar a condição perigosa e entender a magnitude da energia que nos orienta para definir a consequência potencial caso um evento indesejado ocorra.

Para que a identificação das energias, condição perigosa, eventos indesejáveis e das consequências seja sistêmico, é importante desdobrar a organização pelo menos até o nível de processo, sendo desejável que este desdobramento ocorra até o nível de tarefas. Isto ajuda a localizar os eventos indesejáveis potenciais na estrutura gerencial e operacional. Considerando que toda estrutura gerencial tem um responsável, este será o “dono” do evento indesejável potencial e, portanto o responsável pelas ações de mitigação e monitoramento dos controles existentes. Da mesma forma, toda tarefa tem os seus executores e assim podemos endereçar os treinamentos e informações necessárias para que possam lidar adequadamente e de forma segura com estes eventos indesejáveis potenciais. Este desdobramento é mostrado esquematicamente na figura a seguir onde cada UG – Unidade Gerencial representa uma estrutura gerencial que pode ser uma diretoria, uma gerência uma coordenação. O processo, embora apresentado na figura como dimensão operacional ainda é uma unidade gerencial.

Desdobramento da empresa.

Desdobramento da empresa.

Ele é representado por ser a unidade operativa onde as coisas acontecem de fato. Normalmente os processos estão alocados e são conduzidos pelo nível de supervisão. O processo é então desdobrado em tarefas às quais alocamos os cargos dos seus executores. Isto vai facilitar depois associar as tarefas às pessoas as que executam e, consequentemente aos eventos indesejados potenciais.

Certamente que esta etapa do processo de avaliação de riscos pressupõe a identificação de todas as condições perigosas, todos os eventos indesejados potenciais e as respectivas consequências, independente da gravidade de cada uma delas. Numa etapa posterior vamos analisar os riscos e valora-los para que se possa priorizar identificando aquelas situações de maior risco e de eventos indesejáveis potenciais de consequências maiores para que possam ser devidamente alocados a seus respectivos responsáveis na estrutura gerencial e que possam ser devidamente tratados pelos seus respectivos “donos”.

Significa que precisamos registrar adequadamente esta identificação que daremos o nome de Mapeamento de Condições Perigosas. As figuras a seguir mostram um modelo deste registro.

Registro do desdobramento da estrutura.

Registro do desdobramento da estrutura.

Registro do mapeamento da condição perigosa.

Registro do Mapeamento da Condição Perigosa.

Do lado esquerdo do registro do Mapeamento da Condição Perigosa inserimos a estrutura até o nível de tarefa, indicando a empresa que executa aquela tarefa ou o processo (isto torna possível considerar no mapeamento os eventos indesejáveis associados aos serviços terceirizados e executados por empresas contratadas) e a indicação dos cargos dos executantes daquela tarefa.

O Mapeamento da Condição Perigosa inicia-se com o registro da energia seguido da condição perigosa associada àquela energia, a origem da condição perigosa (de decorrente do ambiente físico ou da execução da tarefa propriamente dita).

 

Para cada condição perigosa registra-se o evento indesejável potencial (lembrando que é recomendado que se identifique o pior evento indesejável mais provável e não o pior evento indesejável possível) seguido da descrição do cenário e da consequência potencial caso aquele evento ocorra.

A descrição do cenário consiste em identificar as circunstâncias da ocorrência do evento indesejado potencial na execução da tarefa incluindo a descrição de como a energia associada pode se liberar de forma descontrolada, vindo resultar no evento indesejado. É importante que o cenário contenha também a quantificação da magnitude da energia para ajudar na identificação da consequência potencial mais provável, assim como o registro das incertezas associadas ao evento indesejável potencial.

O próximo passo é registrar os controles existentes de modo que se possa avaliar a sua eficácia posteriormente. Para indicação dos controles existentes é importante organizar o registro de acordo com a hierarquia de controle conforme ilustra a figura adiante.

Registro dos controles existentes.

Registro dos controles existentes.

É importante observar na tabela acima a inclusão de uma classe na hierarquia de controle denominada de Controle Biológico. O controle biológico não consta das estruturas de hierarquia de controle publicadas possivelmente por que a saúde ocupacional é tratada comumente na higiene industrial. Como o foco da nossa discussão envolve também a saúde, além da segurança, incluímos esta classe de controle no registro.

O controle biológico é aquele de natureza médica que se faz normalmente nos exames periódicos verificando algum distúrbio orgânico ou a presença de indicadores de contaminação por algum agente químico ou físico. Deste modo consideramos controle biológico a audiometria, o raio x de tórax, dentre outros, além dos indicadores biológicos definidos pela ACGIH e a NR9.

 

Autor: Reginaldo Pedreira Lapa

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